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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Meus Contos: A Caverna

As vezes, as nossas inspirações vem dentro dos lugares mais loucos e dessa vez veio dentro do ônibus, na triste e cansativa volta pra casa. Com a cara fechada e um tanto quanto irritado. Eu meio que dei uma cambaleada e vi tudo isso. Não pensei duas vezes e já escrevi. Novamente, espero que gostem. Bons sonhos também. :)



A CAVERNA
- G. Doré -

Senti um frio percorrer todos os poros da minha pele. Minha cabeça explodiu quando fiz esforço para levantar, quase como uma pressão de alguém muito forte apertando os meus ouvidos. Meu corpo pulsava intensamente como se alguém abrisse os braços com toda força em um local apertado. Abri os olhos respirando fundo e o cheiro me deixou atordoado e uma ânsia veio como um soco num vácuo. Nada, além de água e amargor.
Toquei a parede úmida, parecida com a de um calabouço dos filmes de terror ou de tumbas descritas por Lovecraft. O gotejo ecoava nas paredes incertas e baixas daquele lugar que eu nem imaginava onde ficava. O barulho de um rastro fez eu virar minha cabeça rapidamente e minha respiração sumiu por segundos que não consegui imaginar quanto tempo durou. Minha pupila dilatou e comecei a tatear a parede e a andar com a ponta do pés, fora a respiração baixa que me fazia tremer a cada passo.
Ouvi novamente aquele barulho, mais perto desta vez e ecoou como um grito de tormento que fizeram meus músculos se retraírem quase que por instinto e o andar despreocupado(como se o 'coisa-que-mora-nessa-escuridão' não precisasse se preocupar com os caminhos) aproximou-se cada vez mais e meus ouvidos captaram uma leve curva à direita que o desviou de onde eu estava.
Devagar, o acompanhei, e no fim de um corredor onde eu pisava em mucos e nas imperfeições do terreno, enxerguei uma luz fraca e pálida que dançava em sombras tenebrosas nas paredes. Encostei-me e meus olhos queimaram ao chegar perto da luz e enxerguei o que nunca imaginei; uma criatura, uma criatura desforme e com uma pele flácida e pegajosa como a de um humano por muitos anos embaixo d'água. Ela estava de pé à frente de um balcão de cimento liso e os movimentos que a criatura fazia refletia na parede juntamente com a luz da vela que agora, pude ver melhor. A mobilidade lenta e aparentemente grudenta eram sexuais e horripilante, um vai e vem seco, sem expressão, entretanto, nada foi mais perturbador do que olhar pra baixo e ver que a vítima do monstro estava com os braços e pernas abertos, inclusive sua garganta que jorrava sangue como um chafariz das fontes de Florença. O olhar vazio de quem foi entorpecida por ervas naturais fez com que o efeito da droga a fizesse sorrir enquanto definhava lentamente e perdia a cor da sua pele.
Numa sincronia de uma ópera fúnebre, a criatura pareceu terminar junto com o último batimento cardíaco da vítima. Entrei em desespero e não conseguia gritar, mas sentia a minha voz prestes a ensurdecer qualquer um naquele submundo. O medo tomou meu corpo e entrei em pânico, chorei desesperadamente e comecei a ouvir vozes de desespero. Até o momento em que engasguei como se um tubo me sufocasse por anos. Meus olhos abriram o máximo que puderam e antes do globo saltar da órbita, vi e paralisei. Pessoas desconhecidas dizia um nome no qual não imagino de quem era, talvez fosse o meu; "- Será? Onde eu estou?" Respirei fundo e não me lembro de mais nada. Só sabia que estava em uma cama de hospital. Afundado e sentindo um ardente formigamento.

Passaram-se dezesseis anos desde que estava preso naquele local(me disseram que esse foi o tempo que fiquei 'desacordado'), hoje entendo o meu trauma, estava tudo dentro da minha própria mente e essa foi a única vez que lembrei de tudo. Juro que é assustador. O nosso medo é criado por nós. O meu e o seu medo está aí, bem do seu lado, aliás, na verdade está muito mais perto do que você imagina. Não dê tempo à ele.

-bittencourt-

quarta-feira, 23 de março de 2016

Meus Contos: Pesadêlos (in)certos Sonhos

Ultimamente venho escrevendo bastante coisa; poemas, músicas e como o meu gosto pelo terror fantástico/psicológico/religioso me atrai bastante, me arrisquei a escrever alguns relatos de coisas que aconteceram comigo.
Eu lanço a escrita, mas parece nunca ficar pronto ou do jeito que quero ou o que desejo causar.
Portanto, envio aqui esse relato que ocupou minha mente até o descarrego nessa seguinte escrita. Espero que gostem.

- G. Doré, The Neophyte -

Pesadelos (in)certos Sonhos

Dentre reviravoltas dentro à minha própria cama, peguei-me no sono. Estava escuro, somente a luz da lua iluminava uma fresta num canto inóspito do meu aposento.
Com pisos claros, um guarda roupa rangendo e uma janela antiga com algumas das madeiras quebradas, descrevo rapidamente meu quarto que é a entrada da minha atual casa. De cara vemos a cama e ao deitar fico com os pés virados para a porta de entrada e olhando para a direita temos o corredor que atravessa a sala e acaba na cozinha.
Ouvi barulhos vindo de lá, do fim do corredor, barulhos de louça e copos, como se alguém tivesse observando meticulosamente a louça suja do dia passado, mas, não conseguia me mexer ou sequer abrir os olhos. Estava cansado, a semana foi horrível e eu só precisava dormir. E a voz veio como um iceberg gigante dentro de um quadrado de 3m² e nada mais, veio forte, ardente; "Faz tempo que não nos vemos, não é?". Abri os olhos e não sentia meu corpo, muito menos os meus órgãos e me dei conta de que a figura que eu tinha escutado dentro de minha casa era parecida com a de um familiar meu.
Ouvi o barulho da porta destravar e ela ir embora e por um lapso que eu não queria ter era de que a minha mãe tem a chave de casa, caso precise de algo, mas era final de semana, início de sábado e os meus olhos ardiam com o sol que atravessava o vitrô naquela hora e me lembro com todas as certezas de que eu travei minha porta com um trinco que só pode ser aberto por dentro. -"Ent...então como ele entrou?", me perguntei em confusões mentais do que era real e do que era sonho. Na mesma hora levantei correndo, destravei tudo o que trancava a minha porta e saí atrás do que estava dentro do meu quarto. Saí de casa, fui até o portão e olhei para a direita e nada e ao olhar para a esquerda, estava lá, de costas. "É familiar, mas..., quem?" e na hora que fui gritar para chamá-lo, a 'pessoa' virou-se lentamente, com um sorriso maléfico e totalmente ameaçador. A ponta dos cabelos dava um aspecto largado e quando virou-se por fim, meus olhos não podia enxergá-lo por completo e eu via somente sombras, rabiscos e um sorriso que não sairia da mente de ninguém e não desejo que outra pessoa o veja também. Era rasgado, como se não conseguisse parar de rir. Como se uma maldição o tivesse alcançado nos últimos círculos do que não se pode ver mais.
Não lembro de ouvir meu coração bater naquele momento. Fechei o portão com um pavor inominado e entrei correndo para casa e por algum instante estava deitado sem saber quanto tempo já tinha passado desde então.
Acordei ensopado de suor com o meu gato me olhando profundamente, quase que hipnótico.
Era somente um sonho. Isso me tranquilizou até eu cruzar as pernas e me tomar por um gelo incomum que deu inicio no meu diafragma a foi até minhas costas que sentiu todo o caminho de uma gota gelada de suór percorrer toda a minha espinha. Meus pés! Meus pés estavam sujos e quando me tomei pelo medo, incrédulo, confirmei ainda mais que não foi apenas um sonho, ao sentar-se da forma correta para entender e começar a digerir o fato, senti algum objeto no meu bolso e no momento que verifiquei o que era, preferi acreditar que nada estava lá comigo, mas, meus olhos, já acordados viram a minha chave, a chave na qual abri minha porta.
Até que ponto somos enganados pelos mistérios da mente e do que paira no obscuro da terra e de toda sua maldade? Não sonhe. Não se engane. Vença seus pesadelos.

-bittencourt-

Veja essa também. ;)

Meu Livro: Prólogo (Aos Três: Um último caso).